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sábado, 15 de maio de 2010

Vicissitudes dos rituais enteogênicos coletivos contemporâneos




Vicissitudes dos rituais enteogênicos coletivos contemporâneos.

Luis Paulo B. Lopes

Rituais onde utilizam-se enteógenos, sejam de origem animal ou vegetal, são práticas milenares. Há registros de tais rituais nas mais diversas culturas ao redor do mundo. Para compreender aspectos psicológicos, sociais e espirituais envolvidos nos rituais de tais culturas, seria necessário um olhar tendo a própria cultura em questão como referência, para que não se chegue em conclusões de cunho etnocêntrico. Certamente não é de minha competência empreender tal reflexão, portanto ocupo-me com aquilo que faz parte de minha experiência, os rituais coletivos contemporâneos. É importante considerar que o ritual coletivo envolve uma série de aspectos importantes implicados no desenvolvimento espiritual dos indivíduos que deles participam. No entanto, meu objetivo nesse momento é refletir sobre algumas vicissitudes que podem estar envolvidas nessas situações. Afim de que essas reflexões possam ser úteis, de alguma forma, para as próprias instituições que regem os rituais e seus participantes. Tenho consciência de que não serei capaz de abarcar a totalidade de possibilidades envolvidas em tais situações. Mas considero válida a tentativa presente de enumerar alguns pontos envolvidos na situação paradoxal em que uma experiência potencialmente integradora pode também se tornar um entrave no processo de individuação, seja por questões que envolvem o coletivo, seja por questões que envolvem o indivíduo. As questões que apresentarei são fenômenos humanos, e é natural que se manifestem também nos grupos que utilizam enteógenos em seus rituais. Portanto, não tenho como objetivo apontar defeitos ou falhas, mas apenas refletir sobre essas questões.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Pequeno Dicionário de Psicodelia

Da galera que escreve aqui e 
quiser adicionar mais coisas é 
muito bem vinda.

terça-feira, 23 de março de 2010

Respostas à desinformação da Veja


Blog de um jornalista acreano, respondendo à matéria sensacionalista (como a maioria) da revista elitista, conservadora e preconceituosa - VEJA, que alguns ainda insistem em levar à sério....

O ACRE NO ALTAR

MOISÉS DINIZ

A revista Veja acaba de publicar uma sensacionalista reportagem sobre o assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas, 53, e de seu filho Raoni, 25. Na reportagem, sem nenhuma base material, a revista acusa o criminoso Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, Cadu, de ter ingerido ayahuasca, levando-o a cometer o crime.

terça-feira, 16 de março de 2010

The Electric Kool-Aid Acid Test

TOM WOLFE
"O Teste do Ácido de Refresco Elétrico"
(The Electric Kool-Aid Acid Test,trad Rubens Figueiredo, ed Rocco, RJ, 1993)

“Você não vê a coisa se aproximando?

Dez mil jovens das flores, do ácido e da maconha,
anfetamina, cabeleira, coração que sonha,
Dez mil hippies, beats, cabeludos, doidões, todo o bando,
descendo a Haight Street em festa, cantando,
Tilintando os sininhos, colares, mandalas, badalação,
botas de duendes, barafunda, prostrado no chão
Diante do Profeta que retornou para os seus adoradores.
Tudo ao som da ladainha psicodélfica, polifônica gemeção,
Da banda musical dos Festivos Gozadores!”

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

H.B. - CIBERNÉTICA E ENTEOGÊNICA - 2/2

 [continuação]

Subitamente você não tem mais corpo – é análogo á desincorporação que a bomba atômica traz consigo quando ela o atinge. É por isso uma coincidência que precisamente nestes mesmos dois anos, o LSD é sintetizado, a mescalina, o MDMA, mais a redescoberta do cogumelo...

Há uma ligação muito interessante entre a tecnologia e a experiência psicodélica.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

H.B. - CIBERNÉTICA E ENTEOGÊNICA - 1/2

CIBERNÉTICA E ENTEOGÊNICA:
DO CIBERESPAÇO AO NEUROESPAÇO

Palestra de Peter Lamborn Wilson, (aka Hakim Bey)
(Proferida durante o Festival Next Five Minutes - Tactical Media - Amsterdam, em 19 de Janeiro de 1996)

Aprendi o termo “Neuroespaço” do artista Vladimir Muzehesky, de Kiev, por meio de Geert Lovink. O que imediatamente pensei que ele queria dizer com isso era uma comparação deste espaço que é posto como pertencente ao computador, com o espaço neural ou a experiência do corpo-interior (inner-body) que vem, para a maioria de nós, principalmente através de drogas psicodélicas - neuroespaço como o espaço de alucinações, por exemplo. Gostaria de comparar e contrastar, como eles costumavam dizer na escola, ciberespaço e neuroespaço. Há semelhanças e diferenças.

Recordo-me de alguns anos atrás, quando a realidade virtual subitamente apareceu com grande êxito na cena, de haver ido a uma conferência em Nova York onde Timothy Leary, que Deus o abençoe, apareceu com Jaron Lanier e mais outros cibernautas. Tim estava pondo as luvas, estava no palco e disse: “Oooh, eu estive aqui antes.” Então desde o começo havia esta conexão feita entre a realidade virtual e a experiência com LSD - ou como alguns preferem chamá-la “a experiência enteogênica”, que é só uma maneira fantasiosa de não usar a palavra psicodélica por que ela alerta a polícia. Na verdade, “enteogênico” significa o nascimento do “Divino Interior”. Sou capaz de usar este termo que é significativo para mim mesmo que não seja um teísta no sentido estrito da palavra. Não penso que você deve acreditar em Deus para entender que pode haver uma experiência do Divino Tornando-se Interior.

De fato historicamente - e, ao menos para mim, experiencialmente e existencialmente - esse tem sido o mais importante aspecto do reaparecimento de drogas psicodélicas durante minha vida. Sou quase um exato contemporâneo do LSD : Nasci em 1945, e Albert Hoffmann já estava inventando várias versões preliminares. No verão passado consegui encontrar Hoffmann, e ele ainda é uma maravilhosa propaganda para a experiência psicodélica. Está bem avançado nos oitenta, e é sadio e cordial, mantém todas suas células cerebrais e ainda está trabalhando, come como um cavalo, bebe como um peixe! É do curso de minha existência que estamos falando.

Há uma questão histórica, na própria história das religiões, e que é: De onde vêm os psicodélicos?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Morning Glory

Eu não tenho argumentos e eu não sei descrever, mas ele disse: “Sinto falta de outro mundo!” e eu noto que ele tem razão, só temos canibeiros por aqui. (canibeiros = adeptos da canabis, huahuahua).

Ah, existe religiosidade nas drogas e drogas na religiosidade. Religiosidade é horrível, falaremos sobre espiritualidade. Espiritualidade soa muito melhor que religiosidade.

Os índios mexicanos já sabiam dela, o que chamam de “Planta de Poder”. No xamanismo tolteca, por exemplo, eles entendem “Planta de Poder” como um aliado, porque são animistas e acreditam que as plantas podem desvelar mistérios, conversar e guiar um adepto, ensinar coisas e guiá-lo pelo caminho do Conhecimento (com C maiúsculo mesmo). A Planta tem um espírito, é um mestre, que auxilia a alcançar outros níveis de percepção. Então, não é uma visão minha, unicamente, milhares de malucos pensam o mesmo que eu. (ou não)


LSA.

(Amido de ácido lisérgico)

Ipomea Violácea Tricolor, ou a famosa Morning Glory, Glória da Manhã. E após culitivá-la, entendi o motivo, dá uma flor linda e azul, que se enche pela manhã, enorme, gloriosa, para murchar ao fim da tarde e morrer.

Anton Wilson a descreve muito próxima do LSD (Acho que RAW, não me lembro bem, não me cobrem referências e citações, por favor, deixo isso com o Fernando e quem mais quiser).




Creio ser complicado escrever sobre isso, porque experimento, porque observo, porque cultivo e porque mantenho um paradigma espiritual da coisa e não como uma química ou como alguém que tem todos os melhores argumentos do mundo para falar sobre. Conheço porque vivi isso, porque vivo a Morning Glory (isso dá letra pra rap, huahuahu). E meu ponto é sustentado por meus próprios paradigmas, nem tão científico, como eu gostaria. É uma apresentação de outro mundo dentro desse blog e é tudo o que posso fazer.

Como o assunto é cultivo, eu também cultivo meu próprio enteógeno e defendo esse ato, por ter uma visão mais espiritual da coisa, criamos um tipo de conexão com a planta e pode parecer loucura minha e dos demais que conversei a respeito, mas o ato de se plantar e cuidar da planta ostenta uma sensação de gentileza da planta também com a gente, uma sensação de proteção sob o próprio efeito da planta, o que de fato não deixa de ser uma verdade, pois impede com que ingerimos coisas a mais e tóxicas que nem sabemos a procedência. Há até alguns ocultistas que defendem que essas plantas estiveram em determinadas linhas de energia na terra que fizeram com que tivessem esse “poder” dentro do vegetal, o poder de nos guiar para níveis de percepção altos e gentilmente nos fazer observar o desconhecido.

Minha menina no vasinho em casa, florindo!


E acho mais fácil contar sobre os efeitos e como eles se apresentaram sobre mim, mas deixarei isso para um próximo post. Esse será apenas para uma pequena apresentação de um outro mundo.

As fotos? São da minha pequena. Como eu disse, eu cultivo meu enteógeno no aconchego de meu lar! rsrs