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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Experiência com Salvia Divinorum


Fumei o extrato 10x, num bong de vidro com isqueiro maçarico.


Antes estava muito nervoso, então, comecei a fazer o seguinte relaxamento: respiração profunda, visualizando o número 10, apertava as mãos e os olhos, largava enquanto mentalizava “relaxa” e ia para o número 9, até chegar no 0. Coloquei música baixa: cd do Black More´s Night, que deu um clima celta ao cenário.


Quando me acalmei bem, fumei. Deixei um bong num local próximo, mas seguro. Fiquei sentando em posição com pernas de chinês na cama e comecei a sentir o corpo diferente, uma sensação de leveza, talvez. Fechei os olhos, vi minhas mãos se multiplicando em milhares e milhares formando as formas mais lindas, lindas mesmo, túneis dançando de mãos e braços, minhas mãos e meus braços, milhares deles. E Deus estava fabricando aquele cenário do alto, a minha direita. Não o vi por inteiro, mas tinha aspecto indiano, como algumas outras coisas em torno. Minhas pálpebras ficavam pulando, como se fossem abrir ou estivessem produzindo algo, difícil explicar.


Eu tinha e não tinha controle da situação, existia uma identidade de eu, mas ao mesmo tempo deixe-me levar pela experiência. Não perdi sequer a memória, embora estivesse relativamente distante, de que eu havia usado a salvia. Ajoelhei-me e agradeci a graça que me foi concedida ainda durante a experiência. Quando senti que estava tudo diminuindo abri os olhos, mas era mais agradável mantê-los fechados por mais algum tempo.


Depois, finalmente, abri os olhos. Estava sozinho em casa, mas mantive o monitor do CPU desligado. Na internet, um amigo estava do outro lado, e manteve-se ligado para qualquer coisa, fornecendo uma proteção muito útil, inclusive para se tivesse alguma ansiedade durante ou pós experiência.


Agradeço novamente a experiência neste momento.


Para mim, uma integração do sagrado, não pelo intelecto, mas pela sensação.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dissolução do eu na totalidade.

Gostaria de agradecer ao convite do Fernando pra que eu pudesse contribuir com o Blog. Espero poder contribuir da melhor maneira possível.. escrevi um texto hoje sobre um assunto que já vinha pensando em escrever há algum tempo.. a agora venho aqui compartilhar..

um abraço,

Lupa



Dissolução do eu na totalidade.

Uma grande dificuldade de falar sobre experiências enteogências é a limitação da linguagem pra exprimi-las. Ao assumir o desafio de escrever sobre elas, devo estar consciente de que nem de longe conseguirei alcança-la com minhas palavras. Além disso, sei também de que a linguagem que utilizarei será melhor assimilada por aqueles que tem alguma experiência com os enteógenos, pois as palavras poderão remeter às lembranças de suas próprias experiências. Entretanto, meu objetivo é falar a todos os interessados pelo assunto, independentemente se já tiveram ou não experiências da natureza que tentarei descrever. Àqueles que nunca exploraram as profundezas de seu Ser pelo viés da experiência enteogênica, fica aqui uma tentativa de demonstrar o indemonstrável. O que escrevo nas linhas que seguem não é, de maneira nenhuma, uma tentativa de oferecer um panorama definitivo sobre a experiência de morte do eu, é antes de tudo, uma forma particular de descrever algo que vivi. Portanto não tenho a pretensão de definir uma verdade, se é que isso é possível, mas apenas de falar livremente.

Relatos de experiências de morte e renascimento são bastante comuns entre os psiconautas. Há relatos variados de experiencias de morte simbólica e outros em que a morte é experienciada como física, onde se tem uma sensação de morte literal. Em um tipo de experiência não tão incomum, o indivíduo percebe que seu eu deixa de existir enquanto unidade delimitada pela personalidade (morre simbolicamente) e pode identificar-se, por exemplo, com processos inorgânicos, com animais, com outras pessoas, com o planeta terra ou com a totalidade da existência. Devido o potencial transformador do enteógeno, há ainda aqueles que afirmam terem morrido para um eu antigo e renascido para um novo eu após a experiência. Embora todas essas formas de morte possam se relacionar de alguma maneira, podem também se apresentar de maneira independente. Por exemplo, um indivíduo que passou por uma experiência de morte literal, assim como alguém que tenha sentido que renasceu para um novo eu, pode ou não ter vivenciado uma morte simbólica do eu, onde os limites da personalidade são transcendidos e há uma identificação com a totalidade. Portanto, a morte é um tema bastante amplo dentro da experiência enteogênica, e me ocuparei unicamente de um tipo específico de experiência, onde o eu torna-se o todo.