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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Entrevista com a historiadora Isabela Oliveira sobre o chá de ayahuasca e a Igreja do Santo Daime.


Entrevista com a historiadora Isabela Oliveira sobre o chá de ayahuasca e a Igreja do Santo Daime.
Adriano Belisário

Isabela Oliveira completou seu doutorado em História pela Universida de Brasília com a tese "Santo Daime: um sacramento vivo, uma religião em formação". Nesta entrevista, a pesquisadora fala sobre a origem do culto do Santo Daime, suas influências e as mortes associadas ao uso de ayahuasca. Confira aqui a matéria completa sobre a regulamentação da bebida.


RHBN - Como o fundador do Santo Daime, Raimundo Irineu, é visto pela História? O que se sabe sobre sua biografia e legado?

Isabela - Raimundo Irineu Serra nasceu no Maranhão no ano de 1890. Sobre a sua infância e juventude sabemos muito pouco. Apenas que sua família era muito pobre, cristã, provavelmente descendente de escravos - já que ele era negro -, que trabalhavam com a extração do óleo de babaçu e participavam, em seu cotidiano, de diferentes práticas culturais maranhenses, entre as quais destacam-se o Tambor de Crioula, a Festa do Divino Espírito Santo e a Festa de São Gonçalo.

No início do século XX, o Sr. Irineu se mudou para o Acre dentro do fluxo migratório dos nordestinos para a Amazônia por ocasião da exploração em larga escala do látex.Chegando ao Acre, ele passou, então, a trabalhar como seringueiro e posteriormente integrou a Comissão de Demarcação de Limites que naquele momento instituía as fronteiras entre o Brasil, o Peru e a Bolívia. Foi nesse período que ele teve contato pela primeira vez com a Ayahuasca, provavelmente no contexto de uma prática nativa com a bebida onde um "xamã" também conhecido na região como vegetalista, distribui a bebida para um número reduzido de participantes com diferentes propósitos, entre os quais a cura de doenças. Tais práticas e aquelas desenvolvidas pela população indígena com a Ayahuasca são extremamente comuns e amplamente disseminadas na região amazônica brasileira e andina há vários séculos. Tal reconhecimento levou, inclusive, que o Peru considerasse, no ano passado, a Ayahuasca como Patrimônio Cultural dessa nação.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Enquete sobre projeto que susta resolução que permite uso religioso da Ayahuasca

Para votar no site Camara, clique aqui

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Adeptos do Santo Daime fazem manifestação em frente ao Congresso

Fonte: Beatriz Labate

Clique aqui para ver a notícia original.

Os adeptos do Santo Daime realizaram nesta segunda-feira (24), em frente ao Congresso Nacional, a Caminhada Ayahuasca Contra as Drogas, cujo objetivo é apresentar à sociedade informações sobre o uso do chá Santo Daime, ou ayahuasca, utilizado para fins religiosos. A passeata foi organizada pela Federação Nacional da Ayahuasca.

Os adeptos argumentam que o daime “não causa qualquer tipo de dependência, dano fisiológico ou síndrome de abstinência” e alertam para o risco de misturar a bebida com drogas como maconha ou cocaína . “Nós tomamos daime e não somos drogados” foi uma das frases impressas em cartazes durante a manifestação.

Nesta semana, a Câmara dos Deputados realiza duas audiências públicas para discutir a resolução do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad) que permitiu o uso do chá do Santo Daime ou ayahuasca para fins religiosos. Um das audiências foi realizada nesta segunda-feira (24) e a outra deverá ocorrer na quinta-feira (27).

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O uso ritual da ayahuasca




Rafael Guimarães dos Santos - Bacharel em Ciências Biológicas - UniCEUB [1]

Artigo publicado na revista eletrônica do Centro de Estudos do Imaginário

fonte: http://www.cei.unir.br/res41.html

Em fevereiro de 2004 foi lançada a segunda edição, revisada e ampliada, do livro O uso ritual da ayahuasca. O livro trata ao longo de suas páginas sobre a trajetória que a ayahuasca vem fazendo, desde suas origens na Amazônia até seus usos nos meios urbanos. Esta fonte de conhecimento e poder[1], que é a ayahuasca, é preparada em grande parte dos contextos em que é consumida a partir do cipó Banisteriopsis caapi juntamente com a folha do arbusto Psychotria viridis. Tendo a Amazônia Ocidental como origem, a ayahuasca é estudada ao longo do livro com o devido cuidado e respeito que cada diferente contexto onde ela é utilizada (indígena, caboclo,urbano) merece.

O livro, que é composto por vinte e seis artigos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, relata três grandes temas sobre a liana dos mortos[2]: seus usos entre os povos da floresta, entre as religiões brasileiras institucionalizadas e seus aspectos biológicos-farmacológicos, demonstrando como o tema abordado é plástico e permite múltiplas abordagens.

domingo, 25 de abril de 2010

Assembleia do Acre resgata dívida histórica com mestres da Ayahuasca

Fonte: Bia Labate

Em sessão solene com a galeria e o plenário completamente lotados ontem (15), a Aleac entregou títulos de Cidadão Acreano “in memorian” aos fundadores das três principais comunidades tradicionais da ayahuasca: os maranhenses Raimundo Irineu Serra e Daniel Pereira de Matos e o baiano José Gabriel da Costa. A concessão dos títulos foi proposta em 2009 pelo deputado Moisés Diniz (PCdoB) e aprovada por unanimidade.

O evento reuniu representantes de diversas correntes religiosas e políticas e foi classificado pelo presidente da Mesa Diretora, deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) como o resgate de uma dívida histórica do Estado com três homens que ajudar a construir a história e a identidade do Acre. “Este momento é de reconhecimento por parte do Poder Legislativo, mas, mais importante que o reconhecimento, é a visibilidade a este debate para que a gente possa combater o preconceito, espantar a ignorância e afirmar que o povo acreano foi construído por muitas mãos”, declarou.