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terça-feira, 6 de abril de 2010

Pequeno Dicionário de Psicodelia

Da galera que escreve aqui e 
quiser adicionar mais coisas é 
muito bem vinda.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Humphy Osmond


Continuando nossa discussão sobre terminologias é a vez de adentramos melhor sobre o termo psicodélico. O termo foi cunhado por Humphy Osmond numa carta a Aldous Huxley, tendo sido o próprio Osmond a apresentar o peiote a Huxley em experiências que resultaram no livro Portas da Percepção.

Numa passagem, em 1957, Osmond diz:

Tentei achar nome apropriado para os agentes (psicomiméticos) em discussão: um nome que incluísse os conceitos de enriquecimento da mente e alargamento da visão. Algumas das possibilidades são: psicofórico, transformador da mente; psico-hórmico, excitante da mente; e psicoplástico, moldador da mente. Psicozínico, fermentador da mente, com efeito é apropriado. Psico-réxico, explosor do espírito, apesar de difícil, é memorável. Psicolítico, libertador da mente, é satisatório. Minha escolha recai sobre psicodélico, manifestador da mente, pois o termo é claro, eufônico e não contaminado por outras associações. (citação colhida em LSD de John Cashman)

Para mais sobre Humphy Osmond, tem um ótimo resumo sobre sua obra no Erowid.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Contracultura Psicodélica

Na continuação do post do meu amigo Pedro, sobre a questão da contracultura psicodélica, segue o capítulo 3.3.1 da minha monografia já citada no post "Introdução à redução de danos".

3.3.1 – Contracultura Psicodélica

Uma forte contracultura estabeleceu-se, especialmente nos EUA, utilizando algumas SPA´s como forma de contestação de um sistema opressor, tal como de uma tentativa de evolução pessoal ou juvenilização[1]. Nesta contracultura as principais substâncias utilizadas eram as “drogas” que Antonio Escohotado chamou de “visionárias” e outros chamam de enteógenas, especialmente a cannabis e seus derivados e o LSD[2] (ácido lisérgico), este último tendo sido sintetizado pelo químico Albert Hofmann. Diversos artistas, cientistas, ativistas se engajaram para promover uma transformação social radical usando como meio uma contracultura muito particular, nunca vista antes. Nas palavras de William Burroughs (in Leary, 1999, p.9-10), um dos grandes nomes da literatura da geração beatnik, escritas em 1989 no prefácio da autobiografia de Timothy Leary:

É fascinante poder olhar para trás e perceber a cintilante rede de conexões sociais, científicas, artísticas e políticas que foram engajadas e ativadas com o início da fase de experimentos psicodélicos (e Tim Leary era a figura central dessa rede). No momento certo, Allen Ginsberg uniu-se a Timothy em 1960. Sua determinação em democratizar a experiência com drogas e compartilhá-la com todas as pessoas estava bem de acordo com o tipo de mente igualitária de Timothy, e pode ter sido decisiva para a carreira posterior como Johnny Acidseed.


terça-feira, 16 de março de 2010

The Electric Kool-Aid Acid Test

TOM WOLFE
"O Teste do Ácido de Refresco Elétrico"
(The Electric Kool-Aid Acid Test,trad Rubens Figueiredo, ed Rocco, RJ, 1993)

“Você não vê a coisa se aproximando?

Dez mil jovens das flores, do ácido e da maconha,
anfetamina, cabeleira, coração que sonha,
Dez mil hippies, beats, cabeludos, doidões, todo o bando,
descendo a Haight Street em festa, cantando,
Tilintando os sininhos, colares, mandalas, badalação,
botas de duendes, barafunda, prostrado no chão
Diante do Profeta que retornou para os seus adoradores.
Tudo ao som da ladainha psicodélfica, polifônica gemeção,
Da banda musical dos Festivos Gozadores!”

sábado, 6 de março de 2010

The Soul-Searchers

Um trecho de In My Own Way: Uma Autobiografia, 1915-1965
© 1972 por Alan Watts. Pantheon Books

Diretamente do Mundo Mágico do Cogumelo

The Soul-Searchers

Retornando a América [em 1958] eu fui apresentado à aventuras psiquiátricas de um tipo muito diferente. Aldous Huxley tinha recentemente publicado “As portas da perceção” sobre seus experimentos com mescalina, e havia por essa época ido à exploração dos mistérios do LSD. Gerald Heard havia se juntado a ele nessas investigações, e em minhas conversas com eles eu percebi uma evidente mudança de atitude espiritual. Em síntese, eles haviam deixado de ser Maniqueístas. Sua visão de divino agora incluía a natureza, e eles se tornaram mais relaxados e humanos, então eu peguei falando a eles sobre minha própria persuasão. No entanto, pareceu-me altamente improvável que uma verdadeira experiência espiritual pudesse se dar pela ingestão de alguma química particular. Visões e êxtase, sim. Um pouquinho do sabor místico, como nadar com bóias nos braços, talvez. E talvez um novo despertar para alguém que tenha feito a jornada antes, ou um insight de uma pessoa experiente na Yoga ou o Zen.

No entanto, nesses “planos interiores” eu sou de uma natureza aventureira, e sou disposto a testar a maioria das coisas. Ambos, Aldous e meu ex-aluno na Academia, o matemático John Whittelsey, mantinham contato com Keith Ditman, psiquiatra encarregado da pesquisa do LSD no departamento de neuropsiquiatria da Universidade de Los Angeles. John estava trabalhando com ele como estatístico em um projeto elaborado para testar os efeitos da droga em dependentes do álcool e para mapear seus efeitos no organismo humano. Como muitos de seus tópicos relatavam estados de consciência que poderiam ser lidos como relatos de experiências místicas, eles estavam interessados em testar em “experts” do campo, apesar de um místico nunca ser realmente especialista da mesma forma que um neurologista ou um filólogo, por seu trabalho não ser uma catalogação de objetos. Mas eu me qualificava como um perito na medida em que eu também tinha um conhecimento considerável intelectual da psicologia e da filosofia da religião: um conhecimento que, posteriormente, me protegeu dos aspectos mais perigosos desta aventura, me garantindo um compasso e algo como um mapa neste território indomável. Ademais eu confiei em Keith Ditman. Ele não estava com medo, como muitos Jungianos, do inconsciente. Não foi imprudente, mas parecia frio, cauteloso, comedido nas opiniões, porém vivo, com olhos brilhantes e intensamente interessado em seu trabalho.