Tradução: Fernando Beserra
Fonte em espanhol: La paradoja de la percepción
Enteogenia, Política de drogas, Redução de danos, entre outras conversas sobre psicoativos.

O que é droga?
Antes de aparecerem leis repressivas, a definição geralmente aceita era a grega. Phármakon é uma substância que é remédio e veneno ao mesmo tempo; não uma coisa ou outra, mas ambas ao mesmo tempo. Como disse Paracelso, “somente a dose faz de alguma coisa um veneno”. No primeiro tratado de botânica científica, um discípulo de Aritóteles expressou claramente isso a respeito da datura metel:
Ministra-se um dracma (
Hoje restam apenas vestígios do conceito científico. Ouvimos falar de drogas boas e más, drogas e remédios, substâncias decentes e indecentes, venenos da alma e panacéias, medicamentos delituosos e medicamente curativos. O efeito específico de cada composto é ignorado, e sobre essa ignorância recaem considerações estranhas à ação de uns e outros.
Quem procura a objetividade terá o cuidado de não misturar ética, direito e química. Mas talvez seja ainda mais decisivo lembrar que se qualquer droga se constitui em veneno potencial e um remédio potencial, o fato de ser nociva ou benéfica em um determinado caso depende exclusivamente de: a) dose; b) objetivo do uso; c) pureza; d) condições de acesso a esse produto e modelos culturais de uso. A última circunstância é extrafarmacológica, ainda que tenha atualmente um peso comparável às circunstâncias farmacológicas.
Uma classificação funcional
As drogas psicoativas podem ser classificadas segundo diferentes critérios. Em 1924 o criador da psicofarmacologia moderna, L. Lewin, falou sobre cinco tipos: euphorica (ópio e seus derivados, cocaína), phantastica (mescalina, maconha, meimendro, etc.), inebriantia (álcool, éter, clorofórmio, benzina, etc.), hypnotia (barbitúricos e outros soníferos) e excitantia (café e cafeína, tabaco, cat, coca, etc.). Depois surgiram classificações mais complexas apoiadas em tecnicismos terminológicos que, pretendendo superar as falhas da divisão proposta do Lewin – por exemplo, inclusão da cocaína junto ao ópio e não junto aos excitantes – acarretaram falhas ainda piores.
Copyright © Enteogenico. All rights reserved | Blogger template created by Templates Block | Design by Charma Digital