um abraço,
Lupa

Dissolução do eu na totalidade.
Uma grande dificuldade de falar sobre experiências enteogências é a limitação da linguagem pra exprimi-las. Ao assumir o desafio de escrever sobre elas, devo estar consciente de que nem de longe conseguirei alcança-la com minhas palavras. Além disso, sei também de que a linguagem que utilizarei será melhor assimilada por aqueles que tem alguma experiência com os enteógenos, pois as palavras poderão remeter às lembranças de suas próprias experiências. Entretanto, meu objetivo é falar a todos os interessados pelo assunto, independentemente se já tiveram ou não experiências da natureza que tentarei descrever. Àqueles que nunca exploraram as profundezas de seu Ser pelo viés da experiência enteogênica, fica aqui uma tentativa de demonstrar o indemonstrável. O que escrevo nas linhas que seguem não é, de maneira nenhuma, uma tentativa de oferecer um panorama definitivo sobre a experiência de morte do eu, é antes de tudo, uma forma particular de descrever algo que vivi. Portanto não tenho a pretensão de definir uma verdade, se é que isso é possível, mas apenas de falar livremente.
Relatos de experiências de morte e renascimento são bastante comuns entre os psiconautas. Há relatos variados de experiencias de morte simbólica e outros em que a morte é experienciada como física, onde se tem uma sensação de morte literal. Em um tipo de experiência não tão incomum, o indivíduo percebe que seu eu deixa de existir enquanto unidade delimitada pela personalidade (morre simbolicamente) e pode identificar-se, por exemplo, com processos inorgânicos, com animais, com outras pessoas, com o planeta terra ou com a totalidade da existência. Devido o potencial transformador do enteógeno, há ainda aqueles que afirmam terem morrido para um eu antigo e renascido para um novo eu após a experiência. Embora todas essas formas de morte possam se relacionar de alguma maneira, podem também se apresentar de maneira independente. Por exemplo, um indivíduo que passou por uma experiência de morte literal, assim como alguém que tenha sentido que renasceu para um novo eu, pode ou não ter vivenciado uma morte simbólica do eu, onde os limites da personalidade são transcendidos e há uma identificação com a totalidade. Portanto, a morte é um tema bastante amplo dentro da experiência enteogênica, e me ocuparei unicamente de um tipo específico de experiência, onde o eu torna-se o todo.